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Seja bem vindo ao Gaitablog! Aqui você ficará por dentro de todas as novidades do mundo da gaita, além de encontrar matérias, entrevistas, vídeos, aulas, lançamentos e tablaturas. Aproveite e deixe seu comentário!


Ouça as músicas do gaitista Marinho Benvenuti


Marinho e sua filha Marina de 3 anos
 
Nos últimos dias vocês acompanharam aqui no Gaitablog uma seqüência de homenagens ao trabalho de um grande gaitista brasileiro que têm dedicado sua vida à harmônica, ensinando, tocando e aprendendo dia após dia, com muita humildade, coragem e talento. Primeiro publicamos o vídeo de uma excelente entrevista, na qual ele conta divertidas histórias do blues e da gaita. Depois publicamos em duas partes um extenso texto em que ele mesmo conta as peripécias de sua carreira. Agora você terá a oportunidade de ouví-lo fazendo o que mais gosta, tocando gaita.
 
A primeira música que disponibilizamos é uma composição dele mesmo, gravada em 2003 e denominada Mandacaru Express, com 7 cromáticas e uma diatônica e uma gaita baixo, acompanhadasde vários intrumentos feitos por ele mesmo, como piano, teclados e contra-baixo. A música é ótima e reflete uma tentativa do Marinho de tentar dar um arranjo "colorido", diferente do tradicional.
 
A segunda música também é de autoria de Marinho Benvenuti e chama-se Games. Eu também adorei ela e espero que divirtam-se e enviem seus comentários para que eu repasse ao Marinho.
 
Para ouvir basta clicar na música e esperar ela carregar, nesse player aqui em baixo.
 

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Categoria: Vídeos e Mp3
Escrito por Gaitanet às 21h42
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Lançamento: Hohner & Bob Dylan fazem história juntos

O que acontece quando você une um dos maiores ídolos da história da música popular, que é talvez o mais conhecido gaitista do mundo a maior fabricante de harmônicas do mundo, com 151 anos de história?

Certamente é a história acontecendo diante de seus olhos e é exatamente isso que a Hohner acaba de orgulhosamente anunciar junto com o próprio Bob Dylan no dia 20 de agosto, em seu website oficial.

Para celebrar, lucrar com seu excelente marketing e ainda contentar os fanáticos e colecionadores de gaitas, a Hohner estará oferecendo uma linha de harmônicas Marine Band assinadas pessoalmente pelas mãos do Bob Dylan. Para comprovar a autenticidade do instrumento, ele virá acompanhado de uma carta assinada pelo presidente da fabricante alemã.

A primeira opção é esta caixa maravilhosa da foto abaixo, feita a mão pelo Bob Dylan, que é um set com 7 gaitas assinadas a mão pelo Bob Dylan e além da carta de autenticidade do presidente da Hohner acompanha o famoso logo de olho do cantor, poeta, escritor, gaitista e dj, Bob Dylan. Este kit custará 25 mil dólares e foi produzido na edição ultra limitada de 25 unidades.

 

Existe uma outra opção para quem quiser gastar uma bagatela em sua coleção de gaitas que é a gaita vendida por unidade também autografada a mão por Bob Dylan, numa caixa também produzida a mão pelo Dylan. Apenas 100 modelos foram produzidos e serão vendidos a 5 mil dólares. Veja a foto abaixo:

Felizmente a Hohner não irá agradar somente os endinheirados. Para nós, meros mortais, eles lançarão uma gaita de série que levará a assinatura do artista. Essa gaita terá suas palhetas banhadas a ouro e virá numa bela caixa com o logo de olho e uma foto exclusiva do Bob Dylan. Essa opção será vendida em série e custará 100 dólares. Também existirá um kit com 7 dessas gaitas de série por um preço estimado em 700 dólares. Veja as fotos:

 

Por enquanto você só poderá encontrar esses produtos na famosa e histórica loja do Sam Ash. As vendas serão feitas exclusivamente para os EUA e terão início no dia 29 de Outubro.

Fotografia: Daniel Kramer
Fonte: Hohner

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Categoria: Notícias
Escrito por Gaitanet às 21h32
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Continuação da história do Marinho Benvenuti

Uma nova experiência musical teve início. O som daquela banda era uma mistura das coisas do nordeste com as coisas do sul. Havia influencias de forró, de tropicalismo, de rock, de samba, de tudo um pouco. Costumávamos nos apresentar no programa da rede Tupi “Almoço com as Estrelas” e no programa do “Bolinha”. Finalmente fomos parar na “Busina do Chacrinha” e alcançamos sucesso com a estapafúrdia música “Feira da Fruta”.

Uma banda com essas características, chamou a atenção do Tom Zé. Logo, estávamos fazendo uma parceria. Nos apresentávamos juntos, em várias casas de espetáculo em São Paulo e aos 19 anos de idade, já me encontrava no estúdio de gravação da Continental para colocar meu baixo no samba “Menina, Amanhã de Manhã” do Tom, de seu LP intitulado “Tom Zé”. Nas outras faixas o Gabriel fez o baixo. Aliás, aprendi muito escutando o baixo do Gabriel. Neste mesmo disco também fiz a voz em “Senhor Cidadão”, uma música bela e instigante. A seguir, gravamos também outro disco do Tom, “Todos os Olhos”.

 

Nesses tempos, tive a oportunidade de conhecer algumas grandes personalidades. Escutei o poeta Augusto de Campos declamar suas poesias e conheci uma figura decisiva em termos de orientação que foi o Rogério Duprat. Ele dava orientação ao Tom durante as gravações, era um cara muito legal e havia estudado música no exterior. Num determinado momento, me aproximei dele e perguntei como era a educação musical “lá fora”.  Disse que na Europa, estavam as grandes escolas de música erudita e nos Estados Unidos as de pop-rock e jazz e citou algumas, dentre elas a Berklee College of Music em Boston. Fiquei com aquilo na cabeça e fui comprar um disco de jazz sem entender muito do assunto. Dei sorte, comprei um ótimo disco de big band do Charles Mingus que acabei gostando muito.

 

O jazz pra mim era uma coisa diferente. Ao mesmo tempo, que gostava de algumas coisas, não gostava de outras. Hoje entendo isso, é que sei que o jazz é dividido em muitas fases, afinal, são 100 anos de jazz. Algumas fases são light como o “cool jazz” e outras são heavy como o hard jazz ou o free jazz. Só sei que acabei me empolgando com o jazz e fui parar novamente na Casa Manon. Comprei um trompete. Que decepção!

O som do instrumento era lindo, mas, como era difícil! Tinha que fazer uma força enorme pra soprar e tirar algum som. Era totalmente diferente da gaita, um instrumento delicado se comparado ao trompete. Mesmo assim, insisti no trompete quase um mês, mas, finalmente desisti. Tenho esse trompete guardado comigo até hoje.

 

Comentando com meu irmão sobre ir estudar música nos Estados Unidos, ele disse que conhecia um carioca amigo seu, o Alfredo, que estava cursando música na Berklee. Lembrei também do Rogério Drupat que havia me dado uma dica sobre estudar “arranjo”. Disse que se eu fosse fazer arranjo, era bom aprender piano, porque as “coisas” do arranjo estão todas ali, no teclado. Comecei então a prestar atenção nos pianistas e entender que antes de ir para a Berklee, precisava aprender piano. Rogério era um grande arranjador e eu também queria pelo menos tentar ser um. Entrei em contato com uma professora de piano clássico e comecei os estudos.

Escrevi para a Berklee e recebi uma resposta que era necessário atender os pré-requisitos para ser aprovado para o curso de piano, arranjo e composição. Era muita coisa. Só entra pra Berklee quem já sabe tocar bem o seu instrumento. Passei um ano com aquela professora e finalmente, fui para os Estados Unidos. Conheci o Alfredo que me mostrou a Berklee, e vi que a coisa era mais difícil do que imaginava. Antes de entrar pra escola, lá mesmo, nos Estados Unidos, ainda estudei mais um ano com o professor e compositor de piano contemporâneo Barry Taxman. Neste ano também casei com uma americana e me tornei cidadão americano.

Estando em Boston, fiz um curso de verão na própria Berklee, hoje conhecido como “Summer Program”, que além de outras coisas, capacita o aluno a ingressar na escola.

 

Na realidade, meu piano era um quebra galho na frente dos outros alunos. Aquela moçada já tocava piano desde garoto. Mas, comecei a amar profundamente aquele instrumento e tudo que pudesse fazer para aumentar meu conhecimento, corria atrás.

 

Meus amigos brasileiros mais chegados da Berklee, eram o pianista Rick Pantoja, ex Cama de Gato, o guitarrista Ricardo Silveira, o paulista Lino Simão grande compositor multi instrumentista, o Felipe carioca e o Frê de SP. Havia outros, o guitarrista Líber Gadelha, o baterista Pascoal Meireles e o saxofonista Zé Assunção.

 

Escutava de tudo, principalmente as big bands e as orquestras de música erudita. Esmiuçava as partituras para ver como eram feitos os arranjos. Depois de um tempo, já estava conseguindo acompanhar por ex, a partitura de uma composição monumental chamada, Sagração da Primavera de Stravinsky. Não necessariamente que eu lesse nota por nota, mas, sabia seguir a partitura com exatidão. Assim também com as sinfonias de Beethoven, Wagner e outros compositores.

 

Fiquei dois anos na Berklee, o suficiente para abrir a cabeça, musicalmente falando.

Depois, fui para São Francisco e montei um quarteto com piano, guitarra e com um colega brasileiro na bateria, e fui ser feliz. Desta vez eu era o baixista.

 

Um dia, numa loja de discos na Califórnia, deparei-me com um disco do Bill Evans, que era meu ídolo na época, junto com o Jaco Pastorius. O disco chamava-se “Afinnity”. Bill tocava com um cara chamado Toots Thielemans na gaita. Aquele disco foi uma porrada que levei, pra acordar, porque existiam coisas lindas que jamais podia suspeitar. Um piano daquele, com uma gaita divina daquela. Quem era aquele gaitista sobrenatural? Era o Toots que eu não conhecia. Imediatamente ele também virou meu ídolo. Eu tinha uma cromática da Hohner, uma CBH 2016 e ficava tentando imitar o Toots, mas, não conseguia chegar nem perto do que ele fazia. Achando que minha gaita não era boa, fui a uma loja de instrumentos musicais e comprei outra cromática da Hohner, uma Cromonica 64 vozes. Mesmo assim, deu pra evoluir muito pouco. Peguei as partituras do Charlie Parker, tentei fazer alguma coisa na gaita, mas, não fui muito feliz e acabei resignando-me a minha mediocridade. Em 1989 fui ver o Toots tocar em S.Paulo. Sentei na primeira fila e ouvi maravilhado ele tocar genialmente, dentre muitas músicas, a linda Snow Peas, do disco Afinnity, uma de minhas prediletas.

 

Imaginava que os gaitistas consagrados como Toots e Stevie Wonder, deveriam receber gaitas customizadas especialmente para eles. E é verdade, tanto é que, nas lojas americanas daquela época, mesmo as Hohner, precisavam de customização. Mas não sabia nem mesmo afinar as palhetas da gaita, quanto mais, fazer uma customização. De qualquer maneira, continuei a tocar minhas gaitas, tanto as diatônicas, quanto as cromáticas, e esperar que um dia no futuro, alguma fabrica de gaita começasse a customizar suas gaitas, para serem comercializadas em lojas para qualquer cidadão que desejasse comprá-las.

 

De volta ao Brasil.

 

Quando cheguei, depois de cinco anos nos Estados Unidos, já separado da esposa americana, São Paulo me pareceu uma cidade barulhenta e poluída demais. Pensei em voltar para os Estados Unidos, mas era no Brasil que desta vez queria estar. Fiquei sem saber o que fazer, se ficava ou se voltava. Foi então que surgiu meu pai dizendo que o diretor de cinema Carlos Coimbra estava prestes a rodar um filme no Ceará e estava terminando de montar o elenco. Corri então para me candidatar a um posto de ator e fui aceito. Quando cheguei em Fortaleza, descobri o verdadeiro Brasil que procurava em meus sonhos. Encantei-me pelas coisas daquele pedaço do nordeste e disse pra mim mesmo, que um dia voltaria. Quando terminaram as filmagens, regressei novamente para os Estados Unidos, e fiz um curso de cinema no Berkley Film Institute em Oackland na California. Depois, arrumei minhas coisas e voltei definitivamente para o Brasil.

 

Tempos mais tarde, rumei pro Ceará.

 

Em Fortaleza casei novamente e tive cinco filhos. Tive que deixar a música de lado como ganha pão e me dedicar a outras profissões. Mas nunca parei de compor. Fui dono de pizzaria e restaurante e ainda tive tempo de me formar em filosofia.

 

Em 99 fiquei sabendo que a Hering estava com ótimas gaitas na praça, graças a um empreendimento da fabrica em obter mais qualidade em sua produção. Comprei uma cromática e uma diatônica e percebi a diferença. As gaitas tinham dado um grande salto em qualidade. Estavam mais vedadas com uma boa resposta. Comecei a estudá-las.

No mesmo ano  gravei uma composição minha chamada Spanish Moon, tocando três gaitas cromáticas, com acompanhamento de bateria, baixo, piano e vozes. A voz solo, quem fez foi minha mulher Micheline, que canta muito bem. Em 2002 gravei uma outra composição, Michel, Homem de Cristal em duas partes. Gravei cinco gaitas cromáticas, uma diatônica e uma gaita baixo, acompanhadas por piano, baixo e bateria. No ano seguinte, outra composição, Mandacaru Express, com sete cromáticas, uma diatônica e uma gaita baixo, mais, acompanhamento de vários instrumentos feitos por mim como piano, teclados e baixo.

 

Mandacaru Express é uma música que procurei trabalhar bem o arranjo para dar um “colorido” diferente do convencional. E falando sobre coloração, elaborei um texto em que explico bem o que são as cores na orquestra, chamado “Coloração na Orquestra”. Sugiro dar uma olhada, porque texto igual a este é muito difícil de ser encontrado.

 

Tive também um bar, o Compadre Marinho com música ao vivo. Neste bar acabei conhecendo os melhores músicos da cidade. Havia a noite do samba, a noite do blues e a noite da mpb/jazz. De vez em quando, dava uma palhinha com os músicos.

 

Comecei a escrever os métodos para gaita blues em 2003. Neste ano telefonei pra fabrica de gaitas Hering e expliquei que era professor de gaita e pedi que me mandassem uma cromática customizada. Eles atenderam meu pedido e dias depois recebi uma Hering Special 48 vozes que era um espetáculo. Totalmente vedada com resposta imediata a qualquer toque. Desde então, venho estudando a gaita cromática mais seriamente e pretendo lançar ainda para o ano que vem um método para gaita cromática.

 

Estive em SP ano passado e falei com o Melk Rocha da Bends sobre um projeto de montar uma orquestra de gaitas jazz. Foi muito simpático comigo e disse que o que estiver ao seu alcance, ele fará para que possa dar certo. Dei uma passada também na escola de música Souza Lima e mostrei minhas músicas e eles gostaram muito, principalmente o guitarrista Lupa Santiago e o percussionista Mestre Dinho, antigo amigo da década de 70. Outro grande amigo lá do Souza é o Sizão Machado, grande baixista.

 

Atualmente leciono filosofia e dou aula de gaita cromática e de gaita diatônica blues em Fortaleza. O projeto de montar uma orquestra de gaitas continua em pé. Procuro gaitistas que saibam ler um pouco de partitura para facilitar os ensaios. A orquestra será sediada em Fortaleza. Interessados podem me procurar através do Gaitablog, ou entrar em contato diretamente comigo.

 

Vivendo de música

 

Meus alunos me perguntam se dá para viver de música. Respondo que a vida de músico é muito boa.

Se o músico é solteiro não é casado e não tem filhos, é mais tranqüilo. Caso contrário, precisa estar mais engajado ou ser formado em música e dar aulas para ter um rendimento melhor. A esposa precisa ter um trabalho também para ajudar nas despesas.

O importante é estar envolvido sempre com algum projeto, seja uma banda, gravando ou fazendo shows, produzindo, compondo, arranjando ou fazendo trabalho de estúdio.

 

É importante fazer aquilo que você gosta, mesmo que seja música instrumental que financeiramente é menos recompensado(meu caso).

Na parte didática tem que desenvolver apostilas, métodos.

Geralmente o músico se dedica a uma linha única ou no máximo duas. No meu caso dou aulas ora na escola de música, ora como professor particular e estou me preparando para gravar um CD instrumental e começar a entrar no esquema de shows.

Atualmente estou sendo menos professor e produzindo meu trabalho musical. 

Dá sim pra viver de música. Eu não me preocupo em ser rico. Nem posso! Gosto de jazz! Não tenho uma dupla sertaneja, não faço pagode, pop-rock e não toco axé. Não tenho nada contra, mas, o importante é viver bem com aquilo que se gosta de fazer.

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Categoria: Matérias
Escrito por Gaitanet às 23h37
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Conheça o paulistano que ensina gaita no Ceará

Marinho Benvenuti, A história de quem vive a música e ama a gaita

 

Meu nome completo é Mário Benvenuti Filho e tenho 55 anos de idade. Sou paulistano e sou mais conhecido como Marinho Benvenuti. Vivo há quase 20 anos em Fortaleza no estado do Ceará.

 

Sou filho do ator de cinema nacional Mário Benvenuti, que teve sua expressão máxima nos filmes do renomado diretor Walter Hugo Khoury na década de 60 e 70, entre os quais está o premiadíssimo Noite Vazia, onde meu pai obteve o prêmio “Estatueta Saci” de melhor ator em 1964.

 

Segui os passos da carreira de meu pai cursando artes dramáticas na escola Macunaíma em São Paulo e estive pela primeira vez em Fortaleza em 1978 onde atuei no filme do diretor Carlos Coimbra, “Iracema a Virgem dos Lábios de Mel”. Romance do escritor cearense José de Alencar. Fiz o papel do índio Caubí, irmão de Iracema. Este filme teve trilha sonora de Toquinho e Vinícius de Moraes. Durante as filmagens me apaixonei pela terra e um dia no futuro, voltaria para me fixar definitivamente em terras de Iracema.

 

Apesar da influência do cinema pelo lado paterno, no entanto, minha forte paixão, sempre foi a música. Deixe-me contar um fato que marcou muito, um dia na minha infância. 

Quando tinha por volta dos meus cinco anos de idade, minha irmã Mônica ganhou uma boneca que chorava. Bastava deitá-la, ou de costas ou de bruços, para que de dentro dela saísse um som característico de choro. Ficava pensando de que maneira aquele som era produzido. Minha irmã brincava muito com esta boneca e assim foi passando o tempo até que ela foi ficando mais usada e terminando por ficar velha e acabada. Depois de um tempo, Mônica ganhou uma boneca nova e deixou aquela que chorava de lado. Percebi que a boneca começou a ficar jogada pelos cantos da casa e aproveitei uma hora em que não havia ninguém por perto pra matar minha curiosidade. Consegui com a ajuda de uma chave de fenda, meio que quebrando a boneca, finalmente abri-la. Encontrei um aparelhinho redondo um pouquinho pesado com uns furinhos. Dei uma chacoalhada, mas nada aconteceu. Dei outra chacoalhada, e nada. Nenhum som saia dali. Foi quando levei o aparelho para a boca e soprei nos furos. O som do choro saiu e foi uma sensação incrível. Aquele som daquela maneira, de surpresa, me pegou. Foi o máximo! Jamais vou me esquecer daquela mágica sensação sonora. Não tenho palavras para descrevê-la.

 

Ficava, horas soprando e aprendi que quando se soprava com força o som era mais fino, quer dizer, agudo, e quando se soprava com menos força, o som era mais grosso, mais grave.

Na realidade, o som era produzido pela força da gravidade. Quando se virava a boneca de frente ou de bruços, um peso acionado pela força da gravidade empurrava uma peça no interior da roda que girava e provocava o som.

Muitos anos mais tarde, aquela mesma sensação sonora voltaria a invadir meu coração, mas, de uma maneira diferente.

 

Meu primeiro instrumento, um violão.

 

Na música, tudo começou pelo rock. Aos 11 anos de idade ganhei de meu pai um violão e passei a aprender a tocar as músicas de que mais gostava. Rock é claro.

Gostava das músicas de uma banda brasileira chamada The Jet Blacks e também dos rocks de Elvis Presley e Beatles. Mais tarde, vieram os Troggers, Steeppen Wolf , Jimi Hendrix, Cream, Led Zeppelin e muitos outros. Também gostava muito de ouvir o som da banda do meu tio Nenê, Os incríveis. Ele era o baixista da banda e já me dava algumas dicas de como tocar violão, pois também tocava muito bem aquele instrumento. Quando ele tocava, gostava de ficar prestando atenção no som do baixo e ficava pensando como era maravilhoso o som do contrabaixo. Intuía, que aquele som pesado-grave, representava alguma coisa, como se fosse a própria alma da música. Isso, talvez, porque um dia no futuro, eu seria um baixista profissional como ele.

 

Por volta dos meus 14 ou 15 anos, enquanto estava na casa de alguns amigos americanos, escutei um disco em que Eric Clapton, meu ídolo então na época, tocava na banda “Blues Breacker” de John Mayall. Foi quando percebi com mais atenção, o som de uma gaita de blues. Era a gaita de John e me apaixonei por aquele som mágico. No dia seguinte já estava na loja comprando uma gaita. Como não entendia nada de gaita, comprei uma gaita oitavada, se não me engano, uma “Seductora” da Hering.

 

Caracas Blues Band

 

Meu segundo instrumento, uma gaita.

 

Toquei tanto naquela gaita, que depois de umas duas ou três semanas, a gaita já estava desafinada e com um ou dois furos entupidos. Voltei pra loja e comprei outra oitavada. Desta vez uma “Sonhadora”, que durou mais tempo, acho porque tomei mais cuidado ao soprar e aspirar.

Mais tarde, um dia, novamente na casa dos amigos americanos, tive a oportunidade de escutar mais uma vez a gaita do John Mayall e percebi que tinha uma sonoridade diferente da minha. Lembrei que na loja, Casa Manon, ali no centro de São Paulo, na rua 24 de maio, havia muitos tipos de gaita e pensei em voltar lá pra dar uma olhada. De volta na Casa Manon, percebi entre outras, as gaitas cromáticas, mas, terminei por comprar uma gaita de blues. Se não me engano era uma “Super 20” da Hering.

 

Comecei a tocá-la e fui tocando e tocando e quando, sem querer, fiz um bend. Foi incrível!

A sensação do menino de cinco anos soprando a rodinha de choro da boneca da irmã veio a tona. Uáu! Uón! Uên!

Meu amigo e minha amiga...até chorei de emoção! Era tudo o que eu queria. Era o som da eternidade. E este divino instrumento tinha um nome e eu não sabia - gaita diatônica blues.

 

Aquilo eram os bends? Pra mim era muito natural, era como se aquele som chorado fizesse parte integrante daquele instrumento, assim, simplesmente. Fazia os bends sem saber que estava fazendo os bends. Será que dá pra entender? Eu explico, é que só hoje como professor de gaita, sei como é difícil aprender a fazer os bends. Esforço-me muito para que meus alunos aprendam a fazer os bends, simplesmente porque quando se aprende a fazer os bends, todo um universo sonoro se abre para o aluno, musicalmente falando. Muitas melodias que não davam pra serem executadas, de repente, começam a fazer parte de um novo repertório e o aluno sai do nível iniciante e ingressa rapidamente no nível intermediário.  

 

Mais tarde, escutei um disco do Muddy Waters e fiquei deslumbrado com o gaitista. Aquilo era diferente, era mais chorado, tinha mais feeling, era a verdadeira alma da gaita blues. Mas, nunca fiquei sabendo quem era aquele gaitista.

 

Meu terceiro instrumento, uma guitarra....

 

Quando completei 16 anos de idade, ganhei uma guitarra Begher do meu pai.

Meu tio Romeu foi o primeiro músico da família. Tocava guitarra, piano e baixo e foi um dos fundadores de uma banda de rock em 1958 chamada The Rebels. Anos mais tarde, durante minha adolescência, ele abriu uma fabrica de guitarras chamada Begher, este nome, em homenagem ao meu bisavô austríaco Seu Begher, que era músico contra-baixista e que se estabeleceu em São Paulo no finalzinho do século IXX.

Era uma guitarra linda toda preta. Talvez a primeira guitarra industrializada do Brasil que vinha com a opção da distorção. Enchi muito o saco da vizinhança com aquele som distorcido.

 

Um dia, meu amigo Tino, me convidou para ingressar em sua banda de rock para tocar no lugar do guitarrista Jonas, que se encontrava temporariamente ausente. O nome da banda – Distorção Neurótica.

Na época, em 1970, a banda já estava um pouco conhecida e conseguimos nos apresentar no teatro do Masp na Avenida Paulista, junto com outra banda que já fazia sucesso, chamada Made in Brazil. O show foi um sucesso. Acredito que nós fomos as primeiras bandas de rock que pisaram no palco do Masp.

 

Meu quarto instrumento, um baixo elétrico.

 

Depois desta apresentação no Masp, o guitarrista titular da banda voltou para ocupar seu posto. Voltei pra casa. Decidi estudar violão e procurei uma escola de música. Encontrei o Conservatório Paulista que ficava numa rua atrás do Masp. Lá, pela primeira vez, tive contato com partitura e teoria musical. Meu professor de violão era o Rubinho. Anos mais tarde, Rubinho se tornou o guitarrista do sexteto Jô Soares Onze e meia no SBT. Depois quando morreu, foi substituído pelo guitarrista Tomate.

Fiquei alguns meses no conservatório, o suficiente para saber que queria ser músico profissional. Sabia que um dia tinha que retornar e concluir meus estudos de música. Mas, passar no vestibular e entrar pra faculdade era mais urgente. Entrei pra faculdade de administração de empresa em Mogi da Cruzes, mas, não entendia muito bem o que eu estava fazendo ali. Meu negócio mesmo - era a música.

 

Um dia o telefone tocou e do outro lado da linha estava meu amigo Edu com sua guitarra na mão. Convidou-me para ir a sua casa fazer um som. É que havia conseguido emprestado um baixo Giannini e pediu para que eu o acompanhasse no baixo.

Aquela foi a primeira de várias sessões, eu estando no baixo procurando tirar os sons que meu tio Nenê fazia nos Incríveis.

Passou um tempo, o Geraldo Rosa e o Odair Cabeça de Poeta da banda Grupo Capote ficaram sabendo que eu tocava baixo, e como estavam precisando de um baixista fui convidado a ingressar na banda. Foi a deixa para abandonar a faculdade.


...continua c/ uma bela história de sua gaita pelo mundo, pelo jazz e idéias p/ o futuro...aguarde!

 

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Categoria: Matérias
Escrito por Gaitanet às 22h09
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Rapidinhas do mundo da gaita e da música

Rodrigo Eberienos lança seu website

Após muita expectativa o grande gaitista carioca Rodrigo Eberienos lança oficialmente seu próprio website. O site que tem um visual bonito e arrojado é repleto de informações sobre sua carreira, além de trazer sua agenda de shows (que também pode ser acompanhada no www.agendaharmonica.blogspot.com) e uma séria de matérias sobre o gaitista e toda sua biografia. O internauta que se aventurar pelo site encontrará também muitas fotos inéditas, uma coletânea de vídeos e todo os equipamentos utilizados por ele.

Rodrigo Eberienos que esteve representando o Brasil no SPAH nesta última quinta-feira dia 14. A apresentação foi em St. Louis com o pianista Ron Kallina e contou com o apoio da Bends Harmônicas.

J.J. Milteau veio ao Brasil e saiu no Estadão

Quem quiser conferir um dos maiores gaitistas do mundo, numa matéria bem escrita e bem informada, em destaque em um dos maiores jornais do Brasil, não vai perder seu tempo clicando neste link.

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Categoria: Notícias
Escrito por Gaitanet às 00h15
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